SENTIMENTOS

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sexta-feira, 10 de maio de 2013

A PEDRA NO CAMINHO


Conta a lenda de um rei que viveu num país de além-mar há muitos anos.
Ele era muito sábio e não poupava esforços para ensinar bons hábitos ao seu povo. Frequentemente fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo o que fazia era para ensinar o seu povo a ser trabalhador e cauteloso.

- Nada de bom pode vir para uma nação - dizia ele - cujo povo reclama e espera que os outros resolvam os seus problemas. Deus dá as coisas boas da vida a quem lida com os seus problemas por conta própria.

Então o Rei resolveu mais uma vez ver o que o seu povo faria perante a seguinte situação:

Uma noite, enquanto todos dormiam, ele pôs uma enorme pedra na estrada que passava pelo palácio. Depois foi esconder – se atrás de uma cerca, e esperou para ver o que acontecia.

Primeiro veio um camponês com uma carroça carregada de sementes que levava para a moagem na usina.

- Quem já viu tamanho destino? - Disse ele irritado, enquanto desviava sua parelha e contornava a pedra.
- Por que será que esses preguiçosos não mandam retirar essa pedra da estrada? - E continuou a reclamar da inutilidade dos outros, mas sem tocar, ele próprio, na pedra.

Logo de seguida vem um jovem soldado, a cantar pelo caminho.  A longa pluma do seu quepe ondulava na brisa, e uma espada reluzente pendia à sua cintura. Ele pensava na maravilhosa coragem que mostraria na guerra.

O soldado não viu a pedra, mas tropeçou nela e  estatelou-se  no chão poeirento.
 Ergue-se, sacudiu a poeira da roupa, agarrou na espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente tinham largado uma pedra tão grande na estrada.
No entanto, ele também se afastou, sem sequer pensar, que ele próprio poderia marcar a diferença e retirar a pedra.
E assim foi passando o dia.
Todos os que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra colocada na estrada, mas ninguém a mudava de lugar.
ATE QUE
Ao cair da noite, a filha do moleiro passou por lá. Era muito trabalhadora, e estava muito cansada, pois desde muito cedo que andava a trabalhar no moinho.

No entanto, disse para si mesma:

- Já está a escurecer e alguém pode tropeçar nesta pedra à noite ferir-se gravemente.
- Vou tirá-la do caminho.

E tentou arrastar dali a pedra, que era muito pesada. No entanto ela não desistiu, e empurrou, e empurrou, e puxou, e esforçou-se até conseguir retirar a pedra do caminho.
 Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra.

Ergueu a caixa.
Era pesada,
Parecia estar cheia de alguma coisa.
Na tampa estava escrito: "Esta caixa pertence a quem retirar a pedra."
Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro.

A filha do moleiro foi para casa com o coração feliz.
Quando o fazendeiro e o soldado e todos os outros ouviram o que se tinha passado, correram todos ao local, onde se encontrava a pedra anteriormente e revolveram o pó da estrada com os pés, na esperança de encontrar um pedaço de ouro.

- Meus amigos - disse

o rei -, com frequência encontramos obstáculos e fardos no caminho. Podemos reclamar em alto e bom som enquanto nos desviamos deles se assim preferirmos, ou podemos erguê-los e descobrir o que eles significam.
A decepção é normalmente o preço da preguiça.

Então o sábio rei montou em seu cavalo e com um delicado boa noite retirou-se.






quarta-feira, 17 de outubro de 2012

CAI A CHUVA


E a chuva que cai
desgovernada do céu
torna os nossos os dias tristes
e escuros como bréu
Onde está o arco-iris?
que me aquece
enternece
e que me ilumina
mesmo sendo o oposto
eles afagam o meu rosto
cansado do frio
C.G




FERNANDO PESSOA – PEDRAS NO CAMINHO



Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
Mas não esqueço de que minha vida
É a maior empresa do mundo…
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
Se tornar um autor da própria história…
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
Um oásis no recôndito da sua alma…
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “Não”!!!
É ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta…

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…




PEDAÇO DE CARTÃO


Um lápis queria fazer uma lista de objetivos para o futuro. Gostava de escrever e principalmente de sonhar.
Precisava de uma folha mas o bloco de notas que estava ao seu lado já não tinha mais nenhuma. Restava apenas a contracapa de cartão. Decidiu que seria ai mesmo.
Escreveu o primeiro trecho: ”No próximo ano queria”.
Quando tinha acabado a letra “a” chegou uma borracha gorda e branca, empurrou-o com a sua barriga e aos saltos e corridas apagou a frase e desapareceu.
O lápis não gostou da situação mas como ainda não tinha decidido como iria completar o pensamento reiniciou todo o processo, agora com mais rapidez.
Então escreveu: “No próximo ano queria ser f”. A correr muito depressa veio novamente a borracha, empurrou-o para o chão e apagou tudo.
Agora já chateado e aborrecido. Levantou-se depressa e escreveu: ”Vou ser feliz”. A borracha gorducha já vinha a correr para apagar o texto quando o lápis se deitou em cima do texto impedindo-a.
A borracha com cara de má exclamou:
-Sai de cima do texto! A minha função é apagar! Já não há mais folhas! Na contra capa não se escreve!
O lápis, com um sorriso nos lábios respondeu:
-Podes dizer que não posso! Podes apagar o que faço! Podes impedir-me de tentar novamente mas enquanto eu tiver nem que seja um pedaço de carvão e um resquício de papel eu sonharei!
A borracha desistiu e partiu.